O peso que a gente leva…

6 Agosto, 2009

Há coisas que quero levar, mas não podem ser levadas

Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?

As perguntas são muitas… E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?

Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu para nada.

É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.

E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É consequência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.

É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.

Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias… Hospitais, asilos, internatos…

Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.

Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.

Padre Fábio de Melo


O Fanatismo

18 Janeiro, 2009

 

fanatismo

Hoje em dia, algumas pessoas estão aprimorando suas habilidades e investindo em conhecimento para fins profissionais, pessoais ou políticos. Outras simplesmente se envolvem em uma prática como os esportes, a religião, as artes entre tantas outras opções.

O fanatismo vem do fascínio. Quem nunca ouviu alguém dizer: “Eu estou fascinado por isso, aquilo ou alguém.”

É um estado hipnótico que geralmente traz uma conotação de encantamento fantasioso e sedutor. Aquele que é fanático, o é por algo geralmente externo.

Vamos aprofundar um pouco mais sobre esse assunto:

Quando você está em uma prática com total empenho e atenção, ali existe foco, concentração. Seus sentidos estão concentrados em uma atividade.

Se você tem uma prática assim todos os dias mesmo que seja em uma profissão ou lazer, você superou o primeiro desafio, o foco. Por praticar muitas horas por dia ou simplesmente todos os dias você é um fanático(a)? Não.

Se você está focado e atento durante a prática, e mesmo assim você se encontra receptivo à tudo que se passa à sua volta não bloqueando sua percepção aos estímulos e informações do meio em que você está, você não é um fanático. É apenas um praticante em potencial.

O fanático está contido e fechado para os movimentos que giram a sua volta. Sua percepção está alienada. Só existe um ponto e nada mais a sua volta. O fanático é inflexível. Sua verdade é única e absoluta.

O fanático está no fascínio e por isso ele perde a consciência da continuidade e da totalidade. Está preso à uma idéia, ideologia, regra ou crença. Quando algo não vai de acordo com o que está apegado, tenta mudar o exterior. Há resistência e com isso vem a dor e sofrimento.

Elaine Lilli Fong


O desafio de ser Jovem

16 Novembro, 2008

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Ser jovem, como muitos dizem, é realmente muito complicado. É uma fase em que o mundo nos oferece muitos desafios, às vezes conseguimos vencê-los; outras vezes somos derrotados por eles. Um dos maiores desafios que enfrentamos é o de sermos jovens diferentes, pois a maioria dos jovens vive uma fase rebelde, só querem saber de ir á festas, beber, namorar e muitas adolescentes engravidam cedo, não querem saber de trabalhar e nem de estudar. Eles não sabem o verdadeiro sentido da juventude que é o amadurecimento, a preparação para a fase adulta, que essa é uma fase de começar a assumir certas responsabilidades, que é o tempo de começar a fazer escolhas certas, a optar por caminhos certos, caminhos que nos levam para Deus.

São muitos os desafios que temos que enfrentar, alguns são difíceis e mais duros de vencê-los, outros são mais fáceis, mas na maioria das vezes tudo depende da forma que você os enfrenta. Muitos jovens fogem dos desafios, acham que não vale a pena enfrentá-los, para não assumirem responsabilidade. Eles não enxergam que cada desafio que enfrentamos (vencendo ou não), amadurecemos um pouco, se vencemos é despertado em nós o desejo de vencermos mais e assim acabamos sem percebem assumindo grandes responsabilidades em nossas vidas e se somos derrotados começamos a aprender na dor, pois muitos de nós só aprendemos quando erramos, assim criamos coragem para enfrentar mais desafios, esperando um dia estarmos prontos para vencê-los.

Cada desafio que enfrentamos e que conseguimos superá-lo renova um pouquinho da nossa juventude!

“Meu filho aceita a instrução deste teus jovens anos; ganharás uma sabedoria que durará até a velhice”. (Eclo 6, 18)

Marquinhos – anjodivino@hotmail.com


Cuidado com Consumismo Exagerado

9 Novembro, 2008

Consumir é uma necessidade; temos as coisas, dispomos de recursos para fazer uso deles, mas é possível usar de forma abusiva os recursos, ou depender deles de forma descontrolada, irracional e até patológica. O consumo pode ser compreendido de forma positiva e sadia. Assim, gastar, utilizar, empregar são formas consideradas positivas de consumir. Entretanto, a palavra consumir porta consigo significados negativos, tais como dilapidar, gastar até o fim. No que diz respeito ao uso do dinheiro pode ser compreendido de forma positiva: aplicar dinheiro na compra de artigos de consumo e serviços, comprar, gastar. Tem também uma semântica pejorativa: comprar em demasia e freqüentemente sem necessidade.

As Características da pessoa consumista

Os variados e trágicos fechamentos da realidade humana a valores mais altos e definitivos promovem uma maneira de ver a realidade cheia de superficialismos onde as fugazes gratificações vão caminhando no passo de uma forte dependência dos bens materiais. Mas estes não podem satisfazer a tanta fome e sede de possuir. E o indivíduo termina por sentir-se vazio e infeliz. Eis as características da pessoa consumista:

Um alguém fechado à solidariedade: a sociedade consumista cria pessoas entrincheiradas no mundo dos seus desejos e necessidades que se agigantam em proporções crescentes. O homem consumista é individualista: enxerga a si mesmo e vê todas as coisas sob o metro de seus próprios interesses. Não sabe partilhar, vive acumulando coisas: ele é um alguém que não constrói pontes, ele é uma ilha: o homem consumista é um solitário!

Um alguém fechado à gratuidade: nada é gratuito nos que supervalorizam o consumo. Nunca se dá algo por nada, ou seja, vale a lei do «toma lá, dá cá». Nada se dá sem que haja uma garantia ou uma certeza de retorno. É verdade que uma pessoa aberta aos valores humanos e os cristãos chamados a viver o Evangelho não podem não ter interesse no lucro e por isso fazem negócios, vendem e fazem investimento entrando também na ótica de uma lícita e justa recompensa de seus negócios. Porém, no consumismo exacerbado não há medidas, o que vem a se tornar uma febre, uma compulsão em alguns casos por lucro, por vantagens, etc. E esta mentalidade vai direcionando a vida e os critérios de valor destas pessoas.

É alguém teleguiado: isso mesmo! Existem especialistas que se debruçam em pesquisas para descobrir um ponto de equilíbrio entre o mínimo necessário e o máximo desejado.

O que fazer?

É preciso fazer algo para resolver o problema e ser feliz, ser livre. Por isso, seguem abaixo algumas pequenas dicas que podem até ser uma ajuda para quem vive em função do que vê e da força aliciadora da propaganda.

Cuidados para evitar as tentações :

- Faça sempre uma lista do que vai comprar: não deixe que as aparências dos produtos ou a força da propaganda lhe digam o que deve ou não comprar;

- Diante do supérfluo conte até 10: faça uma verificação mais minuciosa sobre a importância e a necessidade do que vai comprar. Se perceber que é supérfluo, renuncie a aquisição. Isso vai deixar você mais livre e dono de você mesmo. A sua razão e a sua vontade crescerão;

- Obrigue-se a pesquisar preços: você estará evitando gastos inúteis e que poderão comprometer o seu orçamento;

- Evite ir às comprar quando estiver deprimido, com raiva ou carente: nestas situações você poderá buscar compensações em comprar, adquirir. Lembre-se: as compensações não acontecem somente através dos prazeres da gula ou do sexo, mas também nos prazeres da posse. Compensação é escravidão, não esqueça!

- Não vá ao supermercado com fome: você pode sentir um vazio que poderá ser preenchido e conjugado com o verbo comprar;

-Faça planos que exijam poupança: aprenda a economizar, a ser parcimonioso e criterioso nos seus gastos. O hábito de poupar pode ajudar, a fim de gastar de modo mais criterioso e tendo em vista as melhores coisas. Porém, lembre-se: se você é um cristão, não busque de acumular bens, mas fazer um bom uso dos bens!

-Nem sempre o mais caro é melhor: desmistifique. Mesmo que algumas coisas baratas acabem saindo caro, não generalize e não vá atrás de coisa cara, mas de coisas funcionais e econômicas.

E você, é consumista?
Até a próxima!

Marquinhos – anjodivino@hotmail.com


O Culto a Satanás

4 Novembro, 2008

Em síntese: A Itália foi, em começo de 1996, abalada pela prisão de um fundador de seita devotada ao Maligno: os Bambini di Satana (os Meninos de Satanás). Marco Dimitri quer ser chamado “a Besta 666” foi detido por haver violentado uma jovem de dezesseis anos durante uma “Missa Negra”. Os seus seguidores recrutam adeptos entre adolescentes alunos da Escola Média italiana. O fenômeno tende a se expandir na Itália e no mundo; explica-se, em parte, pelo desespero que acomete a sociedade contemporânea; descrente dos valores tradicionais, endeusa os antivalores (verdade é que o culto a Satanás já se praticava desde remotas épocas no seio do Cristianismo e fora). A “Missa Negra” é uma paródia da Missa católica; glorifica Satanás e leva à devassidão sexual, fruto de paixões excitadas.

No começo de 1996 veio a público na Itália um grupo de jovens intitulado Bambini di Satana – Meninos de Satanás. Tem sede em Bolonha. O respectivo chefe Marco Dimitri, fundou tal seita em 1982; foi preso, porém, em data recente, sob a acusação de ter violentado uma jovem de dezesseis anos durante uma “Missa Negra”. Os fatos noticiados pela revista Famiglia Cristiana de 21/0211996, pp. 30-32, nos dão ocasião de abordar a temática do culto a Satanás.

1. O FUNDADOR E A SEITA

Marco Dimitri nasceu em Bolonha. Adolescente, já era irrequieto, a tal ponto que foi expulso da Escola por molestar os seus colegas. Queria ser chamado Bestia (Besta). Os pais o levaram a um mago para que fosse exorcizado – o que só contribuiu para agravar a situação. Dimitri começou a ler “textos sagrados” do satanismo; entrou numa seita para-satânica, que ele depois abandonou, acabando por fundar sua seita própria: os Bambini di Satana.

O grupo se reúne em igrejas execradas ou profanadas e em antigos currais abandonados na região rural de Bolonha. Deixa seus sinais nas paredes dos respectivos templos, às vezes cobrindo símbolos do SS. Sacramento e altares; entre esses sinais estão as palavras de um hino, que assim reza: “Se queres conhecer-me, mata os teus semelhantes. A morte é a alma e a lei é Satanás; com ele hás de matar”. As letras podem aparecer em vermelho, cor de sangue, lembrando o que acontece nas cerimônias do culto satânico.

No princípio de 1996 Dimitri foi preso com dois de seus assessores mais próximos, acusados de ter violentado uma jovem de dezesseis anos. Não é a primeira vez que Marco cai sob os tentáculos da polícia; todavia sempre se livrou de qualquer penalidade, saindo com a “folha corrida limpa”. Isto lhe suscitou publicidade, coisa que ele sempre procurou avidamente, encontrando geralmente algum meio de comunicação que lhe desse cobertura.

Os seguidores de Dimitri recrutam adeptos entre os alunos menores de idade de escolas médias italianas através de emboscadas; Dimitri os reunia em seu escritório, no centro de Bolonha, onde lia cartas pintadas e recebia seus clientes, embora pareça pouco entender de ocultismo. Chegam às suas mãos centenas de cartas de meninas prontas a dar tudo por uma carícia. Esses contatos diversos levaram muito dinheiro à seita de Dimitri, o qual vendia por cinco milhões de liras italianas os cursos para os aspirantes ao sacerdócio satânico; somente no fim do curso era permitido ao candidato participar de um dos ritos satânicos de fundo sexual.

Os seguidores da seita, aparentemente bonachões, habituados à imprensa e à televisão, revelaram-se indivíduos perigosos, dados a todo tipo de perversão. A polícia encontrou nos arquivos do grupo fichas de matrícula assinadas com o sangue das pessoas matriculadas; cerca de cinqüenta destas eram menores de idade, alguns de doze anos, mas todos “consagrados” ao demônio. Encontraram-se também fotografias pornográficas e várias outros elementos congêneres.

Aliás, a pederastia, o sadismo e outras perversões sexuais são correntes entre os cultores de Satanás. Sexo, dinheiro e poder são os três objetivos do pacto com Satanás. Quanto a outras práticas da seita, é difícil conhecê-las, pois os adeptos guardam silêncio a respeito.

2. A PROPAGAÇÃO DO SATANISMO

As pesquisas não convergem entre si quando se trata de avaliar as proporções do fenômeno. Na Itália parece estar presente tanto no Norte como no Sul. Em Nápoles a Prefeitura mandou fechar um Centro Social no qual os rapazeS adoravam um grande bode pregado à cruz. Há quem fale de cinco mil satanistas na Itália. Todavia Silvana Radoani, que se tem dedicado a tale.tudo, afirma serem vinte mil, reunidos em 87 grupos na Itália e 128 grupos no mundo inteiro. Estes números são contestados pelo Prof. Massimo Introvigne, Diretor de um Centro de Investigações em Turim: julga que os autênticos satanistas, com doutrina, liturgia e organização, não são mais do que seiscentos, reunidos em vinte grupos. Em senso lato, podem ser mais numerosos, casos se considerem satanistas aqueles que usam símbolos satânicos ou os magos que evocam Satanás após cobrar alto preço ou ainda os jovens que se reúnem em grupos informais de satanismo “ácido”, mergulhado no mundo dos tóxicos e das drogas. Parece que, na verdade, os que freqüentam certos Centros de Satanismo são uma população flutuante ou também disposta a se dividir e subdividir, chegando alguns a se juntar ao crime organizado.

Todavia é certo que quem entrou num desses grupos, dificilmente consegue sair do mesmo. São poucos os egressos, e, quando ocorrem, geralmente sofrem de graves perturbações mentais.

Torna-se oportuno agora considerar o que seja a “Missa Negra”.

3. A MISSA NEGRA

A Missa Negra é um rito que faz a paródia da Missa católica, oferecendo a Satanás a adoração e o louvor devido a Deus só. Há várias cerimônias de “Missa N.gra”. Os rituais apresentados por Roland Villeneuve em seu livro “L’Univers Diabolique”, Paris 1972, pp. 264-370 datam dos séculos XVI/XVII e fazem eco aos de séculos anteriores; deles são extraídos os tópicos seguintes:

A Missa do Diabo, a partir do século XVI, é exatamente a contraparte do Ofício católico. É a paródia do que Jesus fez na sua última ceia. O que é abençoado, torna-se amaldiçoado; o que é branco, torna-se preto… Por ocasião da elevação da hóstia e do cálice, os sacerdotes-magos exclamam: “Corvo preto! Corvo preto!” para evocar o Maligno. E estes clamores são acompanhados por contorções e saltos. O Demônio, dizem, voa no momento da consagração em torno do cálice. Quando a assembléia viu essa borboleta levanta-se e conjura: “Belzebu! Belzebu!” Não há ato penitencial nem aleluia. Evitam-se os sinos e as sinetas, pois causam horrenda dor ao Demônio…

Como o cálice, também a hóstia é preta e, mais, difícil de ser engolida; traz a figura do Demônio, que diz por ocasião da consagração: “Isto é o meu corpo”. Ele levanta a hóstia acima de seus chifres; neste momento toda a assembléia a adora. Cercando o altar em semicírculo, prostram-se por terra. O Demônio faz então um sermão e intima-os a comungar, dando a cada qual um pedacinho da hóstia, a fim de que o possam engolir; entrega a cada qual dois goles de um remédio infernal, e uma bebida de tão mau gosto e odor que, ao engolirem-na, suam e, ao mesmo tempo, ficam gelados em seus corpos, em seus nervos e em suas medulas.

Era “bom costume” roubar o pão eucarístico nas capelas católicas a fim de o profanar no culto satânico. Satanás, dizem, divertia-se atirando as hóstias aos sapos. Estendia sua sanha aos presbíteros da Igreja, fazendo que estes apresentassem as hóstias ao Maligno. Na Alemanha e na Áustria as moças virgens eram incitadas a perfurar as hóstias com três punhaladas; uma certa Maria Renata Saenger percutia-as com alfinetes, em total ódio a Deus.

Em 15/01/1632 o Parlamento de Dole condenou à morte o cidadão Nicola Nicolas, de Anjeux, porque em 1628 levara o SS. Sacramento do altar para um culto satânico, tendo-o misturado com excrementos humanos por ordem do Diabo; as sagradas partículas desapareceram.

As profanações do SS. Sacramento era frequentes no fim da Idade Média e nos dois séculos seguintes: as hóstias eram pisoteadas, conculcadas, transpassadas…; podiam ser torradas no forno.

Entre outros traços, ainda se narra que o Diabo, por meio do seu representante, exortava os seus seguidores a praticar o estupro, o incesto e a sodomia. Os presentes respondiam em uníssono e tão forte quanto possível: “Mestre, ajuda-nos!” O Maligno então apressava-se por aspergi-los com a sua urina como se fosse água benta. O oficiante revestia uma capa preta sem cruz; tomava em mãos o Livro das blasfêmias, que servia de Cânon ou de Oração oficial e central da Missa Negra; continha as mais abjetas blasfêmias contra a SS. Trindade, o SS. Sacramento do altar, os outros sacramentos e ritos da Igreja Católica; estava redigido em língua que o povo ignorava. O sinal da cruz era feito obrigatoriamente com a mão esquerda.

Satã, por seu representante, ridicularizava os dogmas católicos e propunha uma vida nova aos seus fiéis; prometia-lhes não menos do que a vida eterna. No momento do Ofertório, declarava: “Eu sou o verdadeiro Deus; ao menos vocês me vêem, me sentem e me podem tocar. Ao passo que o Outro… é melhor não falar dele”. Os discursos de Satanás e sua presença eram tão “reais” e persuasivos que os magos o adoravam no sentido próprio da palavra. Uma certa Maria de Ia Ralde, de 28 anos de idade, afirmava que ela gostava de ir a um culto satânico tanto quanto a uma festa de núpcias; julgava que era muito mais satisfatório e gratificante do que ir a uma Missa convencional, pois o Diabo dava a crer que ele era o verdadeiro Deus, e a alegria dos feiticeiros, naquela ocasião, era o começo de uma glória muito maior.

Era normal recitar ladainhas e orações em honra do Demônio; eram acompanhadas de blasfêmias e expressões de demência.

São estes alguns traços típicos dos cultos satânicos, que culminam na chamada “Missa Negra”, paródia sacrílega da S. Missa. A existência desse ritual em nossos dias significa a capitulação da razão e da sanidade mental diante da imaginação e dos impulsos desregrados da carne. Também a mística precisa dos subsídios da razão. 0 Demônio existe, mas não pode ser concebido como um deus poderoso, ao qual se deva prestar culto.

APÊNDICE

Após redigir o artigo destas últimas páginas, recebemos outra notícia da Itália, extraída do jornal LA STAMPA, de Turim, edição de 28/02/1996, devida ao repórter Fabio Albanese.

Desta vez, o cenário é a cidade de Catânia na Sicília, onde foram presos em começo de 1996 cinco homens (alguns de certa posição social) acusados de violação de sepulturas, rapto e destruição de cadáveres, incêndios e atos obscenos. Tinham sede na igreja do antigo mosteiro beneditino de $. Nicoló l’Arena, igreja que parece ter sido transformada em templo satânico, onde se realizaram, como se crê, Missas Negras e orgias demoníacas. Tais protagonistas são, para grande surpresa dos habitantes de Catânia e do público em geral: o monge beneditino Michele Musumeci, de 42 anos, antigo Reitor da igreja de $. Nicolô l’Arena; Antonio Germanà, 34 anos, perito do Patrimônio Artístico-cultural de Catânia, encarregado da restauração da mencionada igreja do mosteiro beneditino; Santo Privitara, 37 anos, Conselheiro Comunal de Catânia, e dois animadores da cultura, a saber: Davide Pulvirenti, 20 anos, e Nicoló Elio Ambram, 28 anos.

A história começou quando em 1993 Antonio Germanà e Santo Privitera ofereceram seus préstimos gratuitos à Administração do Patrimônio Histórico de Catânia no intuito de recuperar o monumento igreja que fora abandonado havia decênios; o mosteiro tornara-se Faculdade de Letras. A Prefeitura aceitou a proposta e confiou a tarefa de recuperação a Antonio, que se põs a trabalhar com os quatro companheiros citados e alguns outros voluntários; enquanto as obras corriam, foram promovidas conferências e debates de ordem cultural, assim como uma visita à cripta da igreja, da qual participou o Prefeito. Eis, porém, que no quarteirão se foram espalhando rumores estranhos enquanto furtos e estragos na igreja eram denunciados pelos vigias do monumento. Este fato deu início ao inquérito por ordem da Prefeitura. Durante uma semana, os policiais montaram guarda ao monumento, mas nada foi apurado. Todavia a escuta de conversas telefônicas e as apreensões de correspondência particulares deram motivo ao aprisionamento dos cinco homens: eram acusados de ter violado urnas funerárias, utilizado paramentos litúrgicos da igreja e organizado relacionamento sexual em grupo por ocasião dos seus ritos. Destes parecem ter participado outras pessoas, inclusive menores de idade, que contaram ao magistrado o que viram e ouviram. Foi rescindido o contrato entre Antonio Germanà e a Prefeitura.

Os acusados rejeitam qualquer suspeita de desonestidade, afirmando que se trata de um complô contra eles. Santo Privitera declarou: “Aquilo de que nos acusam, é o contrário do que nós fizemos por aquela igreja. Ocorre uma confusão, fruto de mal-entendidos, que coincidem com a vinda do novo Reitor da igreja, Pe. Ignazio Mirabella”. Apesar das contestações, pesa sobre os cinco homens agrave acusação de ter cometido atos e ritos secretos e obscenos em homenagem ao Diabo na cripta da igreja de S. Nicoló l’Arena.

Eis, pois, mais um caso recente de culto ao Demônio na Itália.Pode-se afirmar tranqüilamente que outros países são também sedes de tais orgias.


Nomes dos demônios

20 Junho, 2008

Leitor:

Gostaria de saber o significado do nome ZEBU, pois minha filha tem possessões demoniacas fala e ate psicografa, e o demonio em uma dessas possessões falou que o nome dele era ZEBU e que o Deus dele era Lucifer, favou me explicar, que nome é esse. Obrigada pela atenção!

Nota do Blog:
“Baalzebu” (Baal-Zebu) ou “Belzebu”: um príncipe dos demônios ou identificado também como Satã, chefe dos demônios. Na demonologia ele é o primeiro ministro dos espíritos malignos, o “Senhor das Moscas”, manda moscas arruinarem a colheita e o povo de Canaã prestava-lhe homenagem na forma de uma mosca (2Reis 1:3). A forma original desta palavra era “Baalzebube”, termo do deus de Ecrom, com o sentido de “deus das moscas”. Depois os judeus passaram a usar o termo “Baalzebel”, que significa “senhor do esterco”, termo esse usado para mostrar o ódio dos judeus pelos deuses dos gentios. Também era empregado o termo “Baalzebul”, que tem o sentido de “senhor da casa”, isto é, da casa dos demônios; e assim o nome passou a ser sinônimo de Satanás. Figura aterrorizante, enorme, preto, inchado, chifrudo, cercado de fogos e com asas de morcego.


Quando Deus se torna uma aspirina

29 Abril, 2008

Artigo dedicado aos que só se lembra de Deus quando necessitamos de alguma coisa!

Existe um problema em nossas orações: constantemente lembramos de Deus somente quando estamos necessitados de algo, pedindo a Ele que faça a nossa vontade. Mas nem sempre as coisas são assim, pois, muitas vezes, o que desejamos não é o melhor para nós.

Um exemplo bem prático disso é uma criança pequena pedindo à mãe que lhe deixe brincar com uma faca. Por mais que isso seja a vontade dela [criança], uma mãe – em plena consciência – nunca a deixaria brincar com esse objeto. Do mesmo modo, Deus age assim conosco, sempre visando primeiramente o nosso bem; mesmo que a situação que estamos vivendo não esteja coerente com a vontade divina.

A lógica de Deus é muito diferente da nossa, porque Ele vê e tem idéia perfeita sobre todas as coisas, enquanto nossa visão é meramente limitada. Já experimentou olhar o lado avesso de um bordado feito à mão? O que vemos são apenas traços de um desenho; é difícil imaginar como realmente é o bordado. Assim nós também vemos a realidade, não a vemos por todos os ângulos, nossa visão a respeito dela é parcial.

Acreditamos – por meio de nossa fé – que Deus é Onisciente, ou seja, sabe tudo; logo, sabe o que é melhor para nós, muito mais do que nós mesmos. Portanto, o melhor que temos a fazer é nos deixar guiar pelo Senhor e pedir que se faça a vontade d’Ele em nossa vida e não a nossa, pois somos passíveis de erros.

Há de se ter muito cuidado em nossas orações para que não nos tornemos meramente pedintes, pois nossa tendência é a de esquecer de Deus quando conseguirmos o que queremos. Imagine você uma pessoa que orasse tão somente por causa de uma dor de cabeça, e agisse assim a vida toda. Qual seria o conceito que ela tem de Deus? Eu acredito que como o de uma grande aspirina, e é aí que mora o perigo, pois com esse conceito reduzido sobre Deus, quando ela tomar consciência de que a aspirina resolve seu problema, ela deixará de orar por crer que não precisa mais de Deus.

Com isso, não afirmo que é proibido pedir qualquer coisa a Deus; muito pelo contrário, no Evangelho de São João, podemos encontrar a seguinte passagem: “Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, eu o farei de tal forma que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (Jo 14,13-14). Digo que apenas é necessário ter cuidado para que nossas orações não se tornem apenas um ato de somente pedir. Repito aqui que a melhor solução é deixar-se guiar por Deus.

Fonte: Canção Nova


Um conto sobre Oração

21 Abril, 2008

Ao longo o avistei. Tratava-se de uma construção fabulosa. A luz do sol banhava-o fazendo resplandecer em suas paredes altaneiras beleza e harmonia irradiantes. Seu formato recordava-me um diamante, suas linhas arquitetônicas concêntricas avultavam uma característica inusitada: o Castelo não possuía teto.

Desejei adentrá-lo.

Embrenhei-me na mata fechada que separava-me da esplendorosa construção. Pondo-me em marcha multiplicaram-se as dificuldades para se chegar àquele alvo.

À pouca distância de chegar às portas do castelo observei que monstros horripilantes precipitavam-se uns sobre os outros. Eram figuras hibridas e zombeteiras. Por uma fração de segundo transluziam um semblante de beleza, no entanto, efêmeros, esmaeciam como véu desvelando a realidade que se tinha por trás. Um dos monstros, repleto de olhos espalhados em seu corpo aproximou-se e com uma garra afiada perpassou meu antebraço. Seus vários olhos piscavam numa disritmia alucinógena.

Em meio aos seus rosnados pavorosos escutei o seu nome: ‘dispersão’, assim chamou uma outra criatura, esta era velhustra, envergada e trazia envencilhado às costas um pesado embrulho. Murmurava litanias que evocava desespero e noutros momentos esbravejava imperativos imprecatórios: ‘você não vai conseguir’, ‘isto não é para você’, ‘veja só quem é você’. A esta última frase mostrou-me uma foto minha enlameada.

De seus lábios ressequidos e virulentos ouvi um riso entrecortado por lances de tossidos que alteavam à medida que quedava minha cabeça.

Olhando o chão putrefato, cheio de visgo enxerguei algo inaudito, um filete de água mui límpida e transparente. Ao observar melhor percebi que vinha dos rumos do Castelo. Isto foi o suficiente para que eu erguesse novamente o olhar. Fixei-me na porta de entrada do Castelo, encimada dum emadeiramento com a epígrafe: “NUNCA DEIXE A ORAÇÃO”.

O agouro dos monstros aumentou e com ele o furor. Joeiravam maus dizeres eivados de ódios e votos mórbidos. No entanto, uma voz interior distinguia-se das demais e como um vetor orientava-me, encorajava-me e conduzia-me: “não pares, Eu sou a porta, Eu te escolhi, prossiga.”.

Ao chegar aos umbrais da porta os percebi respingado de sangue. Uma paz de efeito inenarrável envolveu-me e fez-me compreender que nunca devo deixar a vida de intimidade com o Senhor. Descobri ali que a oração precisa ser perseverante.

É no Senhor que devo fixar-me e não nos meus pecados e fraquezas que tentam por primeiro esvair a reserva preciosa da oração.

Fonte: http://www.comshalom.org


Tenho vergonha de pedir ajuda! O que eu faço?

17 Abril, 2008

A verdade é que grande parte de seus conflitos poderiam ser resolvidos mais rapidamente se você se dispusesse a pedir ajuda a alguém.

Pedir ajuda significa que eu reconheço não ser capaz de resolver tudo sozinho, de compreender tudo, de pensar em tudo. Alguns pensam que fazê-lo é sinal de fraqueza; outros sabem que é sabedoria. Vamos lá?

Ricardo Sá – Canção Nova


CONVERTIDOS PARA QUEM ?

12 Abril, 2008

Tenho sobre a minha mesa três livros. Não vou fazer propaganda nem citar nomes. Falo dos fatos e poupo os autores. Um foi católico e agora se diz salvo em Cristo. Onde pode, diminui a Igreja Católica, as imagens, a missa, o papel de Maria e dos santos e os sacramentos. Tem mágoa da Igreja onde viveu cerca de trinta anos.  O outro foi evangélico e agora é católico. Também onde pode aponta os erros da igreja que freqüentou. Mostra mágoa. O terceiro é de um ex- católico que se tornou primeiro, evangélico e depois, espírita.  Aposta na reencarnação. É o mais humano dos três. Pelo menos não agride os outros.

É interessante notar que todos começam dizendo que Deus os salvou, estão bem e felizes e vão dar seu testemunho do quanto estavam errados e agora acharam a verdade. Quem ler os três livros perceberá que cada qual puxa a sardinha para a sua brasa. Eram infelizes e Deus lhes indicou uma comunidade onde acharam as suas respostas. Mas quase não passa um capítulo onde não jogam farpas contra a igreja de onde vieram. Demolem para construir em cima.

Leio Paulo que, mesmo discordando, mostra enorme respeito pelo povo judeu de quem ele viera. Vejo Jesus chorando sobre Jerusalém e pedindo perdão pelos seus agressores porque não sabiam o que faziam. Percebo que Paulo distingue entre os maus judeus e o povo judeu e não vejo nesses livros nada disso. Atacam toda uma igreja com a qual tiveram problemas, a começar pelo papa que nunca viram e com quem nunca conversaram. Mas acusam-no de falso e de idólatra e pecador. pecador. Mateus 7, 1 não lhes diz nada. Julgam a torto e a direito. Não sobra nenhum elogio para os membros daquelas igrejas. Só vale quem parece evangélico. Só é bom quem pensa como eles pensam.

Escreveram porquê? Para fazer adeptos? Para mostrar a misericórdia de Deus para com eles que não conseguem mostrar misericórdia para com as igrejas de onde vieram? Esperam ser admirados e aplaudidos por sua nova vida, quando agridem e ofendem irmãos que ficaram e a aquém chamam de idólatras, falsos, estelionatários; quando dão a entender que agora são santos e puros e quem ficou não é; quando atacam inclusive seus novos irmãos evangélicos que não pregam como eles?

Certos livros de convertidos mostram uma verdade. São convertidos sim , mas para uma igreja e dentro dela para uma linha especial e não para Cristo. A fúria com que atacam os grupos dos quais vieram ou de quem discordam mostra que ainda não se encontraram com Jesus. Não há perdão nem misericórdia nos seus livros. Paulo se dispõe a ser até anátema por seus irmãos judeus a quem ele ama. Tornou-se cristão, mas nunca deixou de amar os judeus de cujo seio viera.  Falta isso nesses livros.  Acharam uma nova igreja, mas não acharam o Cristo a quem desejam levar os seus leitores. Será que percebem que de tanto amar o Cristo que está neles não estão conseguindo amar o Cristo que está nos outros? Ou têm a ilusão de que Jesus só está com eles? E onde ficam Nm 11,28-29 e Mc 9,38 ?

Pe.Zezinho scj